Fazia quase um ano que as duas dormiam no mesmo quarto e nunca tinham se falado. Como todas as noites, Nana chorou, Marina não aguentava mais isso, ela estava de saco cheio. Levantou de sua cama e disse a Nana:
--Me fale o motivo de tanto choro, sim?
--Ah, e o que você tem a ver com isso?
--Nana, preste atenção, dormimos no mesmo quarto a quase um ano e você nunca falou comigo, eu nunca fiz nada para você. Quero só te ajudar.
--Ah Marina, você nunca entenderia...
--Se você não falar, nunca iremos descobrir...
--Meus pais, eles não se preocupam comigo, eu não tenho amigos e ninguém fala comigo.
--Nana, vou te contar uma coisa, desde de pequena sofria muito na mão de minha mãe, ela me batia muito, eu sempre fui sua empregadam quando tinha 10 anos ela me mandou para minha avó e la morei durante 3 anos, pouco tempo depois, ela fez o maior barraco na casa da minha avó e me levou para casa aos tapas, apanhava todos os dias e meu pai não fazia nada, as vezes ate ajudava a me bater, quando fiz 15 anos, minha mãe engravidou de meu irmão, com medo de meus avós descobrirem, ela abortou, eu sofri mais do que ela, sempre quis alguém para brincar e conversar, e vendo o sofrimento dela eu adoeci, e quase morri, eu havia feito vários cursos, entre eles advocacia e medicina. Um ano depois do aborto, minha mãe me colocou aqui, e dias depois, meus pais sofreram um acidente de carro, estavam andando atrás de um caminhão, cheio de barras de ferro, o caminhão parou e eles conversando nem viram, só pararam quando o carro encostou no caminhão, nenhuma barra de ferro chegou a entrar no carro, mas logo atrás, veio outro carro que bateu no de meus pais, fazendo as barras de ferro entrarem no carro, passou uma no pescoço de meu pai e outra no coração de minha mãe, fora os que entraram em outras partes do corpo, nenhum sobreviveu a ferimentos tão graves. Fiquei sem família, meus avós morreram de desgosto de me ver presa aqui e de ter perdido seus filhos em um acidente tão grave e desde então aprendi a viver sozinha. Antes de vir para cá, tinha uma melhor amiga, o nome dela era Laura, ou ainda é, ela se mudou para a sua cidade natal um dia depois de me mudar para essa escola e desde então nunca mais a vi. Se não fosse a Laura, eu não estaria viva, uma vez nosso antigo colégio pegou fogo, e eu fiquei presa na biblioteca, ela entrou correndo para me salvar, caiu uma barra de madeira em chamas em cima dela, no entanto que ela tem uma marca muito semelhante a metade um coração no seu braço direito, se ela não tivesse entrado lá, eu teria morrido queimada. Mas também, quase morri quando estávamos andando na rua, e aconteceu um tiroteio, eu vi a arma apontada para ela, e quando o cara disparou eu apenas pulei na frente da Laura, e levei o tiro por ela, ele entrou no meu braço direito e sua cicatriz ficou quase idêntica a metade de um coração, Fora a outras coisas que uma fez pela outra. Quando ela foi embora, eu sofri muito. Chorava todas as noites, ate que um dia ela me ligou e disse que eu não precisava ficar daquele jeito, que ela sempre estaria do meu lado, mesmo com a distancia e que ela sempre iria me amar. Faz seis anos que meus pais morreram, faz seis anos que não vejo Laura, e nesses seis anos NUNCA derramei uma lágrima por causa disso, vivo com um sorriso em meu rosto, sou uma menina extrovertida e alegro todos em minha volta e em seis anos é a primeira vez que conto isso a alguém. Nana, chorar e se lamentar não vai te ajudar a viver, viva intensamente, viva o que tiver para viver, sorria, alegre-se e assim fará amigos, seus pais te amam e só querem o melhor para você. E você tem amigos e eu sou uma delas.
Nesse momento a última lágrima do rosto de Nana caiu e ela só conseguiu dizer isso:
--Obrigada Marina! - e um sorriso abriu em seu rosto, um brilho em seu olhar e nos dias que seguiram, ela foi a menina mas feliz do colégio ao lado de sua nova amiga, a Marina.
Isso também serve para você, sorria sempre, não vale a pena chorar por coisas simples, quando acontecer algo, levante a cabeça e suba o olhar peça a Deus forças e continue sua vida com toda a alegria do mundo, 5 minutos de loucura por dia é o melhor que pode fazer.
By:. Carolina de Souza Inácio *-*
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